Uma análise a partir do Formulário Ministerial
Levantamento realizado via Google Forms — Agosto de 2026
Amostra: 100 obreiros respondentes
1. Introdução
Formar obreiros é um desafio que a igreja enfrenta o tempo todo: como preparar, de forma consistente, pessoas que já estão servindo, levando em conta o tempo, os recursos e a diversidade de perfis que existem numa igreja local. Para entender melhor quem são os obreiros da Assembleia de Deus em Londrina (AD Londrina) e quais são suas necessidades de formação, aplicamos um formulário ministerial pelo Google Forms, que reuniu respostas de 100 obreiros ligados à igreja.
O formulário cobriu quatro grandes áreas: o perfil sociodemográfico dos respondentes, a trajetória espiritual e o vínculo deles com a igreja, a atuação ministerial atual e, por fim, a formação teológica, os hábitos de estudo e as necessidades de capacitação que eles mesmos percebem. Este artigo organiza esses dados para ajudar a liderança da igreja a planejar ações formativas — cursos, treinamentos, mentorias e trilhas de discipulado.
1.1 Metodologia
Os dados foram coletados nos dias 6 e 7 de agosto de 2026, totalizando 100 respostas. O formulário tinha 24 perguntas, a maioria de múltipla escolha. Três delas — sobre áreas de atuação, temas teológicos de interesse e necessidades de capacitação — permitiam marcar mais de uma alternativa, por isso os percentuais correspondentes somam mais de 100%. Já a pergunta sobre a maior dificuldade enfrentada no ministério era aberta; para analisá-la, as respostas foram agrupadas por temas recorrentes, o que envolve uma margem de interpretação e deve ser lido com a devida cautela. Todos os percentuais foram calculados sobre o total de 100 respondentes, salvo indicação em contrário.
2. Perfil Sociodemográfico
O grupo de obreiros que respondeu ao formulário é 100% masculino e, em sua grande maioria, casado (96%). A idade se concentra entre 36 e 55 anos: somando as faixas de 46 a 55 anos (35%) e de 36 a 45 anos (28%), chegamos a 63% dos respondentes. Nas pontas, só 3% têm entre 18 e 25 anos e 7% passam dos 65 — um sinal de que a base de obreiros é formada, principalmente, por homens de meia-idade, com pouca presença ainda de jovens e de idosos.
Tabela 1 — Faixa etária
| Categoria | % |
| 46 a 55 anos | 35% |
| 36 a 45 anos | 28% |
| 56 a 65 anos | 19% |
| 26 a 35 anos | 8% |
| Acima de 65 anos | 7% |
| 18 a 25 anos | 3% |
A escolaridade desse grupo é bem variada. Cerca de 45% dos obreiros têm ensino superior em algum nível — completo, incompleto ou pós-graduação —, enquanto aproximadamente 23% não chegaram a concluir o ensino fundamental ou o médio. Essa diversidade importa bastante para pensar as capacitações: uma trilha única, com a mesma linguagem e as mesmas exigências para todos, dificilmente vai atender bem a uma base tão heterogênea.
Tabela 2 — Escolaridade
| Categoria | % |
| Ensino Médio completo | 32% |
| Ensino Superior completo | 18% |
| Ensino Superior incompleto | 13% |
| Pós-graduação lato sensu | 12% |
| Ensino Fundamental incompleto | 11% |
| Ensino Médio incompleto | 9% |
| Ensino Fundamental completo | 3% |
| Mestrado ou Doutorado | 2% |
Em relação à renda familiar mensal, 80% dos obreiros vivem com até 5 salários mínimos (44% entre 1 e 3, 36% entre 3 e 5), o que confirma o perfil popular e trabalhador da base. A maioria concilia uma profissão secular — entre as respostas aparecem pedreiros, motoristas, vendedores, comerciantes, técnicos, e também profissionais de nível superior, como engenheiros, advogados e professores — com o exercício do ministério.
Tabela 3 — Renda familiar mensal
| Categoria | % |
| De 1 a 3 salários mínimos | 44% |
| De 3 a 5 salários mínimos | 36% |
| De 5 a 10 salários mínimos | 16% |
| Acima de 10 salários mínimos | 4% |
3. Trajetória Espiritual e Vínculo Eclesiástico
A maioria dos obreiros se converteu ainda jovem: somando quem se converteu antes dos 10 anos (22%), entre 10 e 15 anos (11%) e entre 16 e 20 anos (31%), chegamos a 64% de conversões até os 20 anos de idade. Os demais se converteram entre 21 e 30 anos (21%) ou depois dos 30 (15%), ou seja, essa é uma base formada, em sua maioria, dentro da igreja desde a juventude.
O vínculo com a Assembleia de Deus como denominação costuma ser antigo: 47% são membros há mais de 20 anos e 21% entre 11 e 20 anos. Já o tempo de vínculo com a AD Londrina especificamente é mais distribuído (27% entre 11 e 20 anos, 26% há menos de 5 anos, 19% entre 21 e 30 anos), e o tempo na congregação atual se concentra fortemente em até 5 anos (44%). Esse contraste — vínculo antigo com a denominação, mas tempo mais recente na igreja atual — indica uma mobilidade relevante entre congregações dentro da própria cidade: 46% dos respondentes só congregaram em uma congregação da AD Londrina, mas 37% já passaram por duas e 17% por três ou mais.
Tabela 4 — Consagração atual na igreja
| Categoria | % |
| Cooperador | 42% |
| Pastor | 18% |
| Diácono | 17% |
| Presbítero | 17% |
| Evangelista | 6% |
No tempo de atividade ministerial, predominam os obreiros experientes: 27% atuam há mais de 20 anos e 25% entre 11 e 20 anos. Mesmo assim, uma parcela relevante — 16% entre 1 e 5 anos e 11% há menos de 1 ano — representa a geração mais nova de obreiros, o que importa na hora de pensar em acolhimento e capacitação inicial.
4. Atuação Ministerial Atual
As áreas de atuação mais citadas giram em torno da comunicação da Palavra: Pregação (57%), Ensino (51%) e Evangelismo (43%) lideram a lista, seguidas de perto pela função de Porteiro (37%) — historicamente uma das principais portas de entrada para o serviço ministerial na Assembleia de Deus. Discipulado (25%), Missões (24%) e Louvor (20%) também aparecem com força.
Tabela 5 — Áreas de atuação atual (resposta múltipla)
| Categoria | % |
| Pregação | 57% |
| Ensino | 51% |
| Evangelismo | 43% |
| Porteiro | 37% |
| Discipulado | 25% |
| Outra | 24% |
| Missões | 24% |
| Louvor | 20% |
| Jovens e Adolescentes | 17% |
| Administração Eclesiástica | 16% |
| Crianças | 9% |
| Ação Social | 9% |
| Juventude | 9% |
O tempo dedicado ao ministério por semana confirma o perfil bivocacional que já aparecia nos dados de ocupação e renda: 45% dedicam até 5 horas semanais e 35% entre 6 e 10 horas — ou seja, 80% dos obreiros concilia o ministério com uma rotina de trabalho secular que limita sua disponibilidade. Só 20% dedicam mais de 11 horas por semana, sendo 15% acima de 20 horas — um perfil mais compatível com pastores e evangelistas em tempo mais integral.
5. Formação Teológica e Hábitos de Estudo
64% dos respondentes já leram a Bíblia inteira, e os outros 36% ainda não concluíram essa leitura integral. Quanto à formação teológica formal, 64% têm algum nível de formação — 23% curso básico, 20% curso médio, 12% bacharelado, 7% pós-graduação e 2% outra modalidade —, enquanto 36% dizem não ter nenhuma formação teológica.
Tabela 6 — Formação teológica
| Categoria | % |
| Não possui | 36% |
| Curso Básico | 23% |
| Curso Médio | 20% |
| Bacharelado | 12% |
| Pós-graduação | 7% |
| Outra | 2% |
Cruzando formação teológica com consagração, chegamos a um dado importante para o planejamento das capacitações: entre os Cooperadores — o maior grupo da base, com 42% — 57,1% não têm nenhuma formação teológica. Entre os Diáconos esse número é de 35,3%; entre os Presbíteros, 29,4%; entre os Evangelistas, 16,7%; e entre os Pastores, 0% — todos os pastores que responderam têm alguma formação teológica formal. Isso mostra que a lacuna de formação está concentrada justamente nas funções de entrada e de apoio ao ministério, que é o grupo mais numeroso da igreja.
Os hábitos de leitura teológica seguem um padrão bem dividido: 26% já leram mais de 20 livros teológicos, enquanto 16% nunca leram nenhum, e a maioria (35%) leu entre 1 e 5 livros. Já a leitura de periódicos cristãos é um hábito bem mais presente: metade dos obreiros (50%) lê periódicos diariamente e 24% semanalmente — só 20% leem raramente.
Entre os temas de maior interesse teológico (resposta múltipla), a Bíblia lidera com folga (86%), seguida por Teologia (42%), Liderança (41%), Família (37%), Missões (32%), Aconselhamento (29%), Homilética (23%) e Apologética (21%).
Tabela 7 — Temas teológicos de maior interesse (resposta múltipla)
| Categoria | % |
| Bíblia | 86% |
| Teologia | 42% |
| Liderança | 41% |
| Família | 37% |
| Missões | 32% |
| Aconselhamento | 29% |
| Homilética | 23% |
| Apologética | 21% |
6. Dificuldades no Exercício do Ministério
A pergunta aberta sobre a maior dificuldade no ministério trouxe respostas bem variadas. Agrupando por temas recorrentes, a dificuldade mais citada foi conciliar o trabalho secular com o ministério — falta de tempo, jornadas longas, turnos noturnos, viagens a trabalho —, algo mencionado por cerca de 18% dos respondentes. Uma parcela relevante (cerca de 26%) disse não enfrentar dificuldades relevantes no momento. Lidar com pessoas, conflitos e obreiros de trato mais difícil apareceu em torno de 12% das respostas, e questões ligadas à pregação, à interpretação bíblica ou a falar em público, em cerca de 9%. Saúde, cansaço, distância da igreja, aspectos espirituais e a sensação de despreparo aparecem com menos frequência, e o restante das respostas cobre situações pontuais e variadas.
Nota metodológica: como era uma pergunta de resposta livre, essa categorização é aproximada e reflete a leitura interpretativa dos textos. Deve ser tomada como algo indicativo, não como uma medida exata.
7. Necessidades de Capacitação
Ao marcar até três áreas em que sentem maior necessidade de capacitação, os obreiros colocaram em primeiro lugar Interpretação Bíblica (52%) e Pregação (50%), seguidas por Ensino (33%), Resolução de Conflitos (27%) e Liderança (24%). Aconselhamento Pastoral e Administração Eclesiástica empatam em 19%, Evangelismo aparece com 18%, Missões com 13% e Ética Cristã com 9%.
Tabela 8 — Áreas de maior necessidade de capacitação (até 3 respostas)
| Categoria | % |
| Interpretação Bíblica | 52% |
| Pregação | 50% |
| Ensino | 33% |
| Resolução de conflitos | 27% |
| Liderança | 24% |
| Aconselhamento pastoral | 19% |
| Administração eclesiástica | 19% |
| Evangelismo | 18% |
| Missões | 13% |
| Ética Cristã | 9% |
Vale destacar que as duas maiores demandas de capacitação — Interpretação Bíblica e Pregação — coincidem exatamente com as áreas nas quais os obreiros mais atuam na prática (Pregação, 57%, e Ensino, 51%, ambas apoiadas na interpretação do texto bíblico), ou seja, essa necessidade de formação não está desconectada da prática: os obreiros sentem falta de preparo justamente naquilo que já fazem no dia a dia da igreja.
Um dado que chama a atenção: 46% dos obreiros dizem já ter deixado de exercer alguma atividade ministerial por sentir falta de preparo — quase metade da base. Esse índice varia por faixa etária: é mais alto entre os jovens de 18 a 25 anos (66,7%) e entre as faixas de 46 a 55 anos (57,1%) e acima de 65 anos (57,1%), e mais baixo entre 56 e 65 anos (26,3%). Isso sugere que a insegurança quanto ao preparo não é exclusiva de quem está começando: ela também atinge obreiros de meia-idade e mais experientes, talvez diante de novas responsabilidades ou de desafios ministeriais mais complexos.
8. Discussão e Recomendações
No conjunto, os dados desenham o perfil de um corpo de obreiros majoritariamente masculino, casado, de meia-idade, com renda popular e vínculo antigo com a Assembleia de Deus, mas que exerce o ministério de forma bivocacional, com tempo limitado. A formação teológica é desigual e está concentrada justamente fora do grupo mais numeroso, os Cooperadores. As necessidades de capacitação apontadas conversam diretamente com a prática ministerial do dia a dia, especialmente em torno da Palavra (interpretação e pregação) e do relacionamento com pessoas (resolução de conflitos, aconselhamento, liderança).
A partir desse quadro, seguem algumas sugestões de ação:
- Priorizar cursos e treinamentos em Interpretação Bíblica e Homilética/Pregação, já que são, ao mesmo tempo, a maior necessidade sentida e a área onde os obreiros mais atuam na prática.
- Oferecer formatos que caibam na rotina da maioria — que dedica até 10 horas semanais ao ministério e ainda concilia com o trabalho secular —, como módulos curtos, encontros aos sábados ou formação semipresencial/EAD.
- Criar uma trilha de formação básica voltada especialmente aos Cooperadores, o grupo mais numeroso (42% da base) e também o que tem a maior proporção sem formação teológica (57,1%).
- Desenvolver capacitação específica em Resolução de Conflitos e Aconselhamento Pastoral, áreas cuja demanda cresce à medida que os obreiros assumem funções com mais contato pastoral com pessoas.
- Dar atenção especial aos obreiros mais jovens (18 a 25 anos), que relatam o maior índice de abandono de atividades por falta de preparo (66,7%), com mentoria e acompanhamento próximo de líderes mais experientes.
- Incentivar o hábito de leitura teológica contínua, já que 16% dos obreiros nunca leram nenhum livro teológico, apesar do alto índice de leitura de periódicos cristãos (74% leem diária ou semanalmente).
9. Considerações Finais e Limitações
Este levantamento é uma amostra de conveniência — reúne quem respondeu ao formulário durante o período de aplicação, e não necessariamente representa toda a base de obreiros da AD Londrina de forma proporcional.
Ainda assim, com 100 respostas, os dados oferecem uma base sólida para orientar decisões concretas de formação ministerial na AD Londrina. Eles mostram com clareza onde estão as maiores lacunas percebidas pelos próprios obreiros, e ajudam a direcionar os investimentos em capacitação para onde eles realmente impactam a prática do dia a dia da igreja.
Escola de Obreiros AD Londrina