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João 2

O primeiro milagre de Jesus é referencial e marcante. Ele poderia ter escolhido um ambiente público. Isso causaria um impacto maior. Mas o milagre aconteceu em uma festa de casamento, em um ambiente restrito. Por que aconteceu em um casamento?
Primeiro, pelo fato de Jesus estar dando uma visão clara da sua valorização, da maneira como ele considera uma instituição chamada família. Essa é primeira constituição criada por Deus. Ele se importa com relações familiares. Segundo, de todas as instituições humanas e relações, a que mais se aproxima daquela que Deus quer desenvolver conosco é o casamento. A metáfora utilizada para falar do relacionamento de Cristo com a sua Igreja é de que Ele é o noivo e a Igreja é a noiva. Casamento pressupõe intimidade e convivência.

Jesus foi convidado para a festa. Ele participou do momento bom. Mas no meio da festa faltou vinho. Ele também participou do momento da crise. Em todo planejamento, por mais que haja antecedência, acontecem problemas. Tragédia não é faltar vinho. Tragédia é faltar vinho sem Jesus estar na festa. Para quem tem Jesus, a crise é uma oportunidade para provar o vinho novo que só Ele tem. Para que o milagre aconteça quando falta o vinho, primeiro, Jesus precisa ser convidado. A presença dEle é indispensável para qualquer situação.

Quando o vinho acabou, Jesus passou de convidado à organizador da festa. Todas as vezes em que Ele é colocado no lugar de honra, de controle, o milagre acontece. Precisamos convidá-Lo, deixá-Lo agir e fornecer-lhe o material. Na festa, haviam seis recipientes de pedra vazios que serviam para as purificações, um ritual religioso judaico. Diante da crise não adianta preservar a religião intacta. Religião vazia não ajuda em nada. O vinho simboliza alegria. Para que servem talhas vazias se você não tem alegria? Jesus precisa enchê-las para que o milagre aconteça. Jesus não quebra o instrumento da religião, Ele os usa. Quem quer vinho tem que encher de água, a substância básica e essencial do ser. Às vezes, nos apresentamos à Deus vazios de nós. Quando nos colocamos por completo naquilo que consagramos para Deus, ele encontra espaço para fazer o sobrenatural em nós. Deus deseja o nosso coração na nossa adoração. Deus deseja a nossa verdade no nosso louvor. Deus deseja nosso espírito no culto que prestamos a ele. Quando nos entregamos e deixamos de ter uma religião vazia e nos colocamos diante do Senhor, isso gera mudanças que vão ser perceptíveis a todos, até aos mais críticos. Aquele vinho, o vinho novo que Jesus colocou, não tinha rótulo. Não precisamos de rótulos, o mundo deseja ver sabor em nós. Sem rótulos é que nós mostramos se somos ou não o vinho bom de Deus. Que o mundo veja em nós não o rótulo, que veja o sabor, o bom perfume de Cristo, a alegria do Espírito, a glória de Deus. O sabor de Deus é inquestionável, até os mais críticos percebem.

Quando nos entregamos e preenchemos a religião vazia, Deus inverte a lógica dos relacionamentos. Deus tem um vinho melhor que o do início. Quando dizemos que vivemos em Deus e desejamos o vinho do passado, reclamando do tempo em que estamos vivendo, tem alguma coisa errada. Porque o Deus que servimos é um Deus que faz novas todas as coisas, todos os dias. Quem vive em Deus a cada dia prova um vinho novo. Se falta vinho novo hoje, o problema não está em Deus, está em nós. Jesus apenas pediu para encher com água os recipientes. Existem pessoas que não se entregaram para Jesus ainda porque estão se “pré preparando”, acham que não estão prontas. Jesus não pediu água pura. O milagre não aconteceu enquanto traziam a água, o milagre aconteceu depois que passou pela mão dEle.